Zanatta Prefeito de Araçatuba se defende de acusações e sugere criação de CPI da Saúde

Zanatta concedeu entrevista coletiva nesta sexta-feira (Foto: Lázaro Jr.)

“Eu não tenho nenhum problema com fiscalização, não tenho nenhum problema em ser questionado. O que nos estranha, o que nos aborrece, é quando vê que a intenção real não é o que foi dito. Usa-se o subterfúgio de um fato que é legal, que sabe que é de pequena importância e cria-se todo um tumulto desse. E sabe o que acontece com isso? Aquilo que importa, não é fiscalizado e nem debatido” .

Com essas palavras o prefeito de Araçatuba (SP), Lucas Zanatta (PL), encerrou uma entrevista coletiva com a imprensa na tarde desta sexta-feira (24), convocada por ele, para se manifestar sobre a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra na Câmara.

A partir de representação apresentada pelo radialista e advogado Marco Antônio Serelepe Ferreira, a comissão, que ainda não foi instituída, terá 90 dias para investigar “os possíveis atos de desvio de função de guardas municipais lotados na Prefeitura Municipal de Araçatuba, bem como o alegado uso indevido de recursos humanos da Administração para a segurança pessoal do Prefeito e seus familiares, a existência ou não de respaldo legal para a concessão de Função Gratificada aos envolvidos, e a eventual responsabilidade do Chefe do Executivo Municipal e demais agentes públicos” .

Durante a entrevista, o prefeito reafirmou que a destinação de guardas municipais para fazer a segurança do Chefe do Executivo Municipal está prevista em lei federal e reforçou que não há nenhuma ilegalidade nisso.

Ele explicou ainda, que todo prefeito tem direito a um motorista e, no caso dele, optou por designar como motorista, um servidor que trabalha com guarda municipal, porque ele cumpre a função de segurança e foi treinado para ser motoristas.

Sobre o pagamento de gratificação para esses guardas, que estão lotados em secretarias diversas, o prefeito informou que o mesmo acontecia na administração passada e nunca houve questionamentos.

Segundo Zanatta, o ex-prefeito Dilador Borges (PSD) tinha como motorista um servidor que era lotado na Secretaria Municipal de Comunicação e o motorista da ex-vice-prefeita, Edna Flor (Podemos), hoje presidente da Câmara, era lotado na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Ainda de acordo com ele, os dois recebiam Função Gratificada 1, com salário atual de R$ 4.880,00, por exercerem função de dirigente.

No caso dos guardas municipais que acompanham o atual prefeito, que são quatro, devido a necessidade de revezarem turno, eles recebem Função Gratificada 2, que é destinada para como gratificação de serviço, independentemente da secretaria para a qual está lotado, com salário de R$ 3.396,00, ou seja, inferior ao que era pago aos motorista do prefeito e da vice-prefeita na gestão passada.

“Qualquer profissional, concursado da Prefeitura, que receba uma função além daquela que lhe cabe, ele pode ser gratificado, porque ele não vai ter hora extra, ele não vai ter banco de horas, que é o caso dos guardas que me acompanham, não só dirigindo, mas como segurança” , argumentou.

Sobre a necessidade de ter guardas municipais para fazerem a segurança pessoal dele, o Chefe do Executivo disse que já foi alvo de ameaças, pois muitas vezes as decisões que são tomadas ferem interesses.

Ele citou como exemplo, o fato de ter cortado benefícios que antes seriam oferecidos pela administração municipal, o que teria contrariado muitas pessoas, configurando um potencial risco à segurança dele como prefeito. “Eu já fui xingado na rua, graças a Deus estava ali junto com a guarda. E eu estou com a minha família, eu não vou ficar vulnerável na rua, porque eu tenho um filho pequeno” , argumentou

Outra situação grave, de acordo com ele, foi o fato de não ter mantido o contrato com a Organização Social de Saúde Mahatma Gandhi, que gerenciava as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do município desde 2019 e foi substituída, em junho deste ano, pela Zatti Saúde, que é ligada ao Unisalesiano.

Em agosto deste ano, a Mahatma Gandhi foi alvo de operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público, por suspeita de desvio de dinheiro público da área da Saúde. “Estamos falando de uma empresa que é manchete no Brasil todo e Araçatuba é uma das cidades onde essa empresa atuava” , destacou.

Ainda sobre os guardas, o prefeito afirmou que houve aumento na produção da Guarda Municipal na gestão dele, apesar de esses quatro servidores terem sido deslocados para acompanhá-lo, o que é outro questionamento feito na representação.

Segundo Zanatta, no primeiro bimestre deste ano foram realizadas 1.266 rondas preventivas pela Guarda Municipal, contra 1.013 no primeiro bimestre do ano passado. Além disso, o tempo de resposta para atendimento aos chamados teria caído de 15 minutos para 10 minutos nesse mesmo comparativo. “Então, a guarda melhorou, a guarda cresceu a produtividade” , afirmou.

Com base nesses argumentos, Zanatta afirmou que a criação dessa CPI não passa de uma “picuinha política” e uma cortina de fumaça, para não se investigar o que realmente importa, pois a cidade tem problemas sérios, de acordo com ele.

O prefeito voltou a afirmar que é a favor da investigação, disse que já assinou como vereador pedidos de instauração de CPI, mas entende que trata-se de um instrumento político para discutir um problema real da população, não “picuinha política” .

Ele comentou ainda, ser favorável à criação de uma CPI da Saúde ou para investigar as obras da administração passada, elencando o trecho da Nova Pompeu, que está interditado desde o início do ano; o novo terminal urbano, que foi desativado, ambos problemas causados por falhas estruturais, de acordo com ele; além da demora na execução da obra de galeria e pavimentação do bairro Engenheiro Taveira.

O prefeito fez questão de frisar que não tem bancada na Câmara, para mandar em votos de vereadores, e afirmou que não irá ter, pois entende que a relação entre Legislativo e Executivo tem que ser republicana.

E comentou ainda que acha estranho que o vereador Gilberto Mantovani (PSD), o Batata, que foi contrário à criação da CPI da Saúde na legislação passada, apresentada pelo vereador Luís Boatto (Solidariedade), agora esteja a favor dessa CPI contra ele.

Durante a coletiva ele também citou o vereador João Moreira (PP), mas depois foi publicada uma nota com pedido de desculpas, por ele não ter assinado requerimento para a CPI da Saúde na gestão passada e ter sido citado equivocadamente.

Zanatta comentou ainda que o próprio parecer Jurídico da Câmara era no sentido de que as informações sobre os questionamentos feitos na representação poderiam ter sido solicitadas por meio de requerimento.

Porém, como a CPI foi criada, ele é favorável que os vereadores do partido dele participem, para poderem mostrar o que ele está afirmando com relação à legalidade do uso dos guardas municipais.

“Araçatuba, no momento em que está, com as necessidades que nós temos, estar usando a Câmara para uma picuinha. Uma Câmara que custa, um tempo dos políticos, que é importante, e estar levantando uma picuinha dessa, fazendo fumaça, querendo talvez, não tratar dos casos da gestão passada” , disse, reforçando que considera que a CPI é um gasto desnecessário de energia, diante dos graves problemas que a cidade realmente enfrenta e que precisam ser analisados.

Edna Flor diz que servidor que ficava à disposição dela era motorista

Procurada pela reportagem para comentar a fala do prefeito Lucas Zanatta, a presidente da Câmara de Araçatuba, Edna Flor, afirmou que o servidor que ficava à disposição dela na administração passada, quando era vice-prefeita, era concursado como motorista. “Ele não tinha porte de arma, não era segurança meu e nem da minha família” , comentou.

Ainda de acordo com ela, havia um ato designando esse motorista para acompanhá-la nas agências oficiais, os quais recebiam Função Gratificada 2, por terem que ficar à disposição à qualquer momento, inclusive nos finais de semana.

Representação contra Secretaria de Cultura não deve prosperar, segundo Zanatta

Sobre a outra representação protocolada na Câmara pelo radialista e advogado Marco Antônio Serelepe Ferreira, sobre suposta negligência na preservação do acervo do museu Cândido Rondon e de suposto assedio moral contra servidor da Secretaria Municipal de Cultura, Zanatta informou acreditar que ela não deve ser criada.

A representação teve como base um vídeo que mostra objetos em um prédio com goteiras durante uma chuva. Segundo o prefeito, essas imagens são do semestre passado e o acervo não é desse museu, não teria valor histórico e não foi danificado. “Você acha que quem publicou, quem divulgou não sabia disso? Você acha que foi pura tolice, burrice ou malandragem” ? questionou.

Já com relação ao suposto assédio moral, Zanatta informou que o caso foi encaminhado para a Corregedoria para ser apurado. “Tem casos reais e tem casos que as pessoas não cumprem a função e quando elas são cobradas ou questionadas pelos supervisores, elas classificam como assédio moral” , argumentou.

Nesse caso, ele comentou que por conhecer a secretária municipal de Cultura, saber da índole, da competência e da postura dela, já sabe qual será o resultado da apuração:hoje mais

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Operação da Polícia Federal contra o tráfico de cocaína tem 9 presos e 20 aeronaves apreendidas

20 aeronaves foram apreendidas pela Polícia Federal durante a operação (Foto: Divulgação)

A Polícia Federal de Araçatuba (SP) divulgou no início da noite desta quinta-feira (23), o balanço da “Operação Red Flag” , deflagrada no início da manhã contra um grupo investigado por participar de um suposto esquema milionário de tráfico de drogas transportadas por via aérea.

A investigação conta com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público e foram expedidos 33 mandados de busca e apreensão, oito mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária em endereços nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Araçatuba. Para Birigui foram expedidos dez mandados de busca e um mandado de prisão, enquanto para Araçatuba, foi expedido um mandado de busca e apreensão, com um mandado de prisão.

Os agentes apreenderam 17 armas e 1.747 munições (Foto: Divulgação)

Segundo o balanço divulgado, apenas um dos alvos de mandado de prisão não foi encontrado para cumprimento e ele é considerado foragido. Os outros oito investigados que estavam com os mandados expedidos foram capturados e um alvo de mandado de busca foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

Além disso, foram apreendidas 20 aeronaves, 24 veículos, 17 armas e 1.747 munições. Os agentes também recolheram 93.000.00 dólares e R$ 12.900,00 em dinheiro, além de joias, dezenas de celulares, notebooks, mídias de armazenamento, documentos e peças de veículos e aeronaves.

A reportagem apurou que apenas um piloto foi preso em Araçatuba e que somente um empresário foi preso em Birigui. Os nomes não serão divulgados porque eles ainda são investigados.

Esse preso em Birigui é sócio proprietário de uma empresa de aviação, que foi homenageada na Câmara Municipal com o Diploma de Honra ao Mérito. Na descrição da honraria, consta que ela presta serviços para inspeção de fadiga de materiais, manutenção de bielas, revisão em hélices e motores, além de toda a parte de sistema de combustíveis de aeronaves, retifica de motores e cilindros.

Além disso, seria a única no Brasil a englobar todos os setores de manutenção em um único lugar, sendo que nenhum tipo de serviço nos motores dos aviões é terceirizado.  “A empresa atende toda a gama do mercado nacional, faz manutenção em aeronaves de médio e pequeno porte, aeronaves agrícolas, executiva atendendo os 26 estados do País” , informa o texto.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apontaram que um piloto da região de Araçatuba seria um dos responsáveis pelo transporte de drogas em aeronaves a serviço da suposta organização criminosa interestadual.

As aeronaves seriam preparadas em oficinas e hangares de Birigui para fazer o transporte das drogas em outros Estados. O grupo teria estrutura dividida em núcleos de logística aérea e terrestre, gerenciamento financeiro e assessoria voltada à ocultação de bens e valores.

No final de 2024, os investigados teriam transportado quase uma tonelada de cocaína em aeronaves agrícolas no interior do Paraná. As investigações apontaram movimentações financeiras superiores a R$ 160 milhões em contas bancárias de pessoas físicas, empresas vinculadas e terceiros, utilizadas para dissimular a origem e o destino dos recursos ilícitos.:hoje mais

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STF bloqueia R$ 390 milhões do Sindnapi; entidade tem irmão de Lula como vice, mas ele não é alvo

Ministro André Mendonça
STF bloqueia R$ 390 milhões do Sindnapi por suspeitas de fraudes no INSS; entidade tem Frei Chico como vice, mas ele não é alvo. Sindicato nega irregularidades.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de cerca de R$ 390 milhões em bens e valores do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). A medida foi tomada no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura supostos descontos indevidos em benefícios do INSS entre 2021 e janeiro de 2025 e suspeitas de lavagem de dinheiro. O Sindnapi tem como vice‑presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; segundo as reportagens consultadas, ele não é alvo do inquérito.

De acordo com os relatos sobre a decisão, Mendonça atendeu a pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria‑Geral da República, que apontaram movimentações financeiras atípicas e transferência de valores para pessoas físicas e jurídicas ligadas à direção do sindicato. O bloqueio atinge dirigentes, incluindo o atual presidente, Milton Baptista de Souza Filho, e o espólio do ex‑presidente João Batista Inocentini, morto em 2023. A decisão também autorizou a quebra de sigilos fiscal e bancário a partir de 2020.As apurações miram um esquema de descontos associativos sem autorização dos segurados do INSS, com posterior ocultação da origem dos recursos. Em fases recentes da operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra alvos ligados ao sindicato. Na CPMI do INSS, realizada na semana passada, o presidente do Sindnapi permaneceu em silêncio amparado por habeas corpus do STF; em manifestação pública, o sindicato negou irregularidades, classificou o bloqueio como “abusivo” e afirmou colaborar com as autoridades.

O caso tem desdobramentos políticos por envolver a cúpula de uma entidade de grande capilaridade e por mencionar Frei Chico no organograma. Até o momento, porém, os relatos das decisões e das investigações indicam que ele não figura entre os alvos formais. A controvérsia deve avançar na esfera judicial com a análise dos recursos da defesa e o processamento das provas obtidas pela PF e pela PGR.:jornal resenha diária

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