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Prefeitura diz que quer ouvir população para definir futuro do zoológico de Araçatuba

Apesar de quatro recintos estarem vazios, os demais estavam ocupados pelos animais na última quarta-feira (21)

Prestes a conseguir a regularização do Zoológico Municipal Dr. Flávio Leite Ribeiro, a Prefeitura de Araçatuba quer ouvir ideias da população para definir o futuro do local. O projeto do Executivo é transformar o espaço num parque, no entanto, está aberto a sugestões.

Hoje, o zoológico conta com 244 animais de 23 espécies diferentes. Em setembro de 2017, o zoológico colocou à disponibilização para doação 150 animais de quatro espécies que estavam em excesso no espaço. Na prática, isso significa que eles poderão ser encaminhados para zoológicos ou mantenedores devidamente autorizados pelos órgãos ambientais estaduais.

No entanto, conforme explicou a administração, “a retirada é praticamente inviável, visto os riscos envolvidos nesta operação e pelo fato de nenhuma entidade ter demonstrado interesse no recebimento”.

Segundo a Prefeitura, para obter a licença final, que é a AM (Autorização de Manejo), serão necessárias algumas adequações. “Devido à ausência de corredor de segurança no setor de aves de rapina, foi apresentado um projeto de readequação, recentemente aprovado, e que está sendo orçado para dar início”, ressaltou.

Além disso, o Executivo está atualizando as informações dos recintos, como ordenação, área e infraestrutura, e dos animais do plantel no sistema on-line de gerenciamento de fauna da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Desde janeiro de 2014, mais de dez animais que viviam no zoo morreram. A última grande perda foi em agosto de 2017, quando a onça-parda macho Nenão morreu durante tratamento contra pneumonia. Também morreram no espaço um leão, uma leoa, outra onça-parda, quatro emas, um quati e um hipopótamo.

Em março deste ano, o secretário estadual do Meio Ambiente, Maurício Brusadin, durante participação no evento “Ambiente Móvel Exposição Fauna Urbana”, em Araçatuba, disse que o zoológico está prestes a conseguir as licenças ambientais necessárias.

O local passou por uma reforma que durou dois anos – de 2012 a 2014 – e custou R$ 1,25 milhão. De 2002 para 2013, o número de animais do zoológico caiu de 609 para 304. Na época, a Prefeitura explicou as baixas como resultado de transferências e política para controlar a chegada de novos exemplares.

Depois da morte de animais inocentes, mais de 1 milhão em investimentos a Prefeitura de Araçatuba quer transformar o zoo em Parque por não ter capacidade de manter o ambiente? A população pede mais vergonha na cara e que busque capacitação e respeito com os animais e com o turismo e educação ambiental da região. O zoológico que antes já foi motivo de alegria agora traz desolação. Vamos reverter isso Prefeitura!

Fonte: Folha da Região.

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Se matarem macacos, mosquitos vão atrás de sangue humano

Fotos de corpos de macacos têm se espalhado pela internet desde o aumento, nos últimos meses, dos casos de febre amarela em regiões dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. E muitos desses animais não morreram por causa do vírus: foram executados com pedras, pauladas ou envenenamento. Além de cruel, a medida tem efeito contrário ao imaginado por muitas pessoas: prejudica o combate à doença.

Os macacos são o alvo preferido dos mosquitos silvestres que transmitem a febre amarela, que costumam voar na altura da copa das árvores.

Muitos primatas acabam desenvolvendo a doença e morrem. Ao verificar um volume expressivo de corpos deles em determinada região, autoridades sanitárias e pesquisadores conseguem identificar a presença da febre amarela, traçar o possível trajeto do vírus – conforme os corredores da floresta existente – e planejar ações de imunização das pessoas.

A doença tem tido um impacto tão expressivo na população de macacos da Mata Atlântica que existe o temor, por exemplo, de que todos os bugios desapareçam das florestas do Rio de Janeiro.

Para piorar, os poucos macacos que sobreviveram à febre amarela ou escaparam do vírus estão sendo vítimas da desinformação. Muitas pessoas matam esses animais por acharem que eles são responsáveis pela propagação da doença.

Só este ano, dos 144 macacos mortos recolhidos pela Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro para testes de febre amarela, 69% foram executados – apresentavam várias fraturas ou veneno no organismo.

Em todo o ano passado, dos 602 animais mortos, 42% foram assassinados, segundo dados do órgão.

Nem o mico-leão-dourado escapou. Corpos de animais dessa espécie, ameaçada de extinção, também foram localizados com sinais de execução.

Mas o que os “caçadores” de macacos não sabem é que, ao contrário de evitar a propagação da febre amarela, matar os bichos expõe os seres humanos a riscos maiores de contrair esse mal grave, que pode matar.

A febre amarela é uma doença infecciosa que é transmitida, no Brasil, principalmente por mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que moram na copa das árvores e têm predileção pelo sangue de primatas.

Depois disso, o organismo passa a produzir anticorpos e a concentração do vírus diminui. Em cerca de dez dias, macacos e seres humanos terão morrido ou se curado da doença, ficando imunes a ela.

Já o mosquito permanece com o vírus da febre amarela para sempre. Eles podem até passar o vírus para os ovos e, consequentemente, para os filhotes que nascerem.

Se muitos macacos começarem a morrer, a tendência é aumentar a chance de contaminação de humanos. Sem ter primatas para picar na copa das árvores, os mosquitos buscarão alimento em outras localidades – e o homem vira a próxima opção como fonte de sangue.

Isso porque o homem é um animal que se assemelha ao macaco. Por isso, naturalmente, se torna alternativa para o mosquito da febre amarela, que buscará instintivamente um bicho geneticamente próximo. O que não significa que outros bichos não possam ser, eventualmente, picados pelos mosquitos silvestres da febre amarela. Há evidências de marsupiais que já foram picados, mas eles não são “receptivos” ao vírus e, portanto, não ficam doentes, nem se tornam hospedeiros.

Nesses casos, o vírus da febre amarela não interage com o material genético da célula hospedeira de outras espécies – todo vírus tem uma “chave”, ou molécula sinalizadora, que só é reconhecida pela “fechadura” (membrana plasmática) de algumas espécies. A “fechadura” varia conforme a espécie.

Suponha que desaparecessem todos os macacos da serra da Cantareira. O mosquito picaria pessoas. Se você diminui a população de macacos, mais gente será picada.

Além de servirem de isca para mosquitos, evitando com isso que mais humanos sejam picados, os macacos alertam para o “trajeto” do vírus pelo país.

Matar macacos significa levar também a morte para a sua família.

Fonte: BBC.

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